Orquestra de Câmara Paulista e o Espaço da Música Clássica na web: um vídeo blog!


A Orquestra de Câmara Paulista é mantida por uma associação sem fins lucrativos cujo estatuto, equipe administrativa e código de ética, poderão ser encontrados no site oficial da orquestra. Saiba mais sobre a história da Orquestra e os comentários da imprensa. Este espaço foi desenhado para ser um vídeo blog, para compartilhar e discutir novidades sobre algumas obras e seus compositores, os projetos da orquestra e a contribuição dos seus colaboradores e amigos.

Neste blog os posts serão organizados por categorias:

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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Come dolce a me...

Em ocasião das festividades da França no Brasil 2009, Maestro Branco Bernardes e a OcP estão desenvolvendo um programa inédito sobre compositores Fanceses. Jacques Fromental Halevy é um exemplo. 1828, Clari, opera semiseria em 3 atos, libreto de P. Giannone, apresentado no "Théâtre Italien" em 9 de dezembro de 1828.

Jacques Fromental Halevy



Abaixo, Cecilia Bartoli canta aria de Jacques Halevy "Clari".
Opernhaus Zurich, 2008. Orchestra La Scintilla, Adam Fischer.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Do Barroco ao Jazz

Muitas vezes me questionam sobre a composição e formato de orquestras, assim como sobre obras musicais: sinfonia, sonata, ópera e o que pode ser comparado com o popular e clássico de hoje? O mundo moderno mudou definitivamente a musica, a forma de interpretar e de ouvir. Filósofos como Nietzche e o quase contemporâneo Flusser, definem bem a importância do "gesto de ouvir". Nietzche no seu livro Humano, demasiado humano, cita "Devemos não apenas tocar bem, mas igualmente fazer com que nos ouçam bem." Arthur Nestrovski, crítico de música, define a música de câmara de tal forma que acaba esclarecendo sobre a proximidade entre o erudito, clássico e moderno. Leiam e apreciem.

Música de Câmara

Música composta para pequenos grupos: duos, trios, quartetos, quintetos e assim por diante até as "orquestras de câmara", que podem chegar a 30 ou 40 músicos.
Originalmente executada em salas de palácio ou, a partir de fins do século 18, em casas particulares, a música de câmara vem sendo apresentada em grandes auditórios desde o início do século 19, só conservando de "câmara" o nome.
O poeta Goethe ( 1749-1832) definia o quarteto de cordas como "uma conversa entre pessoas instruídas"; sua frase resume os altos ideais associados à música de câmara desde o romantismo, como expressão do pensamento mais íntimo e ao mesmo tempo mais sofisticado dos compositores. Sugere também o caráter de uma música destinada tanto ou mais à satisfação dos próprios músicos do que ao público de uma sala de concertos.
O século 20 é um século de música de câmara por excelência. Pequenos grupos, muitas vezes em combinações únicas, formam o padrão instrumental no repertório contemporâneo.
Tudo o que se conhece como música "antiga" (isto é, anterior ao classicismo do século 18) poderia também ser enquadrado como música de câmara; na linguagem cotidiana, porém, o nome fica mais restrito à música dos períodos clássico, romântico e moderno.

Arthur Nestrovski
(De: Notas Musicais - Do Barroco ao Jazz, Publifolha 2000.)


Orquestra de Câmara Paulista na Sala São Paulo,
J. S. Bach, Suite BWV 1068, Gavotte I e II,
Maestro Branco Bernardes.

Os timbres da Orquetra (transcrito parcialmente do site da OCP)

Timbre é um termo que busca descrever a qualidade ou "colorido" de um som. Um clarinete, violino ou voz humana que emitissem um determinado som de mesma freqüência, seriam facilmente reconhecíveis por um ouvinte pelos seus diferentes "timbres". Podemos afirmar, então, que o timbre é a característica do som distinta de sua altura, sendo o resultado das relativas intensidades dos harmônicos resultantes de uma determinada emissão sonora.

A maioria dos sons musicais consiste não apenas de uma determinada freqüência, mas também de vários sons harmônicos resultantes. Esses harmônicos se fazem presentes devido às leis acústicas dos corpos sonoros. Tanto uma corda como uma coluna de ar possuem a característica de não apenas vibrar não apenas como um todo, mas simultaneamente nas metades, terços etc. gerando novas freqüências. A força relativa de cada uma dessas freqüências simultâneas, que no todo chamamos de série harmônica, proporciona a qualidade sonora da nota, sua "cor", seu timbre.

Os diversos timbres da orquestra são o resultado direto dos materiais empregados e modos de execução dos instrumentos. Quanto mais rica proporcionar em harmônicos superiores, mais brilhante será a sonoridade do instrumento. Como exemplo, tomemos três membros da família das madeiras: a flauta, o oboé e o clarinete tocando uma mesma nota. O timbre da flauta soará relativamente "puro" pois tem poucos e fracos harmônicos, o do oboé, brilhante, rico em harmônico mais agudos, e o clarinete, "oco" devido à preponderância dos harmônicos ímpares. O espectro harmônico deve-se basicamente ao modo pelo qual a vibração do som é ativada. Na flauta, será pela passagem do ar através de uma fenda, no oboé, duas palhetas vibrantes e, no clarinete, apenas uma. Também o material e formato do tubo acústico influirão no resultado.

Os instrumentos da orquestra estão tradicionalmente divididos em famílias, Os instrumentos de sopro são agrupados em madeiras e metais segundo sua matéria prima.


Nas madeiras o som pode ser obtido através do sopro em uma fenda, como as diversas flautas, de embocadura livre; com a vibração de um par de palhetas, como o oboé, corne inglês e fagote; ou por uma palheta simples, o clarinete e clarone. Os metais possuem um bocal, onde os lábios do executante produzirão a vibração original amplificada pelo instrumento.

Os instrumentos de percussão da orquestra incluem toda e qualquer fonte sonora obtida através de um golpe ou pancada, produzindo tanto sons definidos com ruídos. Neste grupo estão incluídos desde as castanholas até o piano, cujo mecanismo consta de pequenos martelos que golpeiam suas cordas.

Por fim, temos os instrumentos de corda, que podem ser friccionados por um arco, tangidos pelos dedos ou golpeados, este último o caso do piano, agrupado na percussão. Os instrumentos onde o atrito do arco nas cordas produz o som, a família dos violinos, possuem uma gama sonora bastante ampla e homogênea, comportando as notas mais graves dos contrabaixos até os mais agudos sons dos violinos. A família dos arcos, violinos, violas, violoncelos e contrabaixo é a origem e a base da orquestra.

Ainda encontramos os instrumentos de cordas pinçadas pelos dedos, a harpa, ou por plectros, o cravo que também freqüêntam a orquestra.

J. A. Branco Bernardes


Bibliografia

SADIE, S. (editor). Dicionário Grove de música.Rio: Jorge Zahar, 1994. Pp. 6, 408-9 e 947.
RANDEL, D. M. (editor). The new harvard dictionary of music. Cambridge (Mass.): Belknap, © 1986. P.863.