Muitas vezes me questionam sobre a composição e formato de orquestras, assim como sobre obras musicais: sinfonia, sonata, ópera e o que pode ser comparado com o popular e clássico de hoje? O mundo moderno mudou definitivamente a musica, a forma de interpretar e de ouvir. Filósofos como Nietzche e o quase contemporâneo Flusser, definem bem a importância do "gesto de ouvir". Nietzche no seu livro Humano, demasiado humano, cita "Devemos não apenas tocar bem, mas igualmente fazer com que nos ouçam bem." Arthur Nestrovski, crítico de música, define a música de câmara de tal forma que acaba esclarecendo sobre a proximidade entre o erudito, clássico e moderno. Leiam e apreciem.
Música de Câmara
Música de Câmara
Música composta para pequenos grupos: duos, trios, quartetos, quintetos e assim por diante até as "orquestras de câmara", que podem chegar a 30 ou 40 músicos.
Originalmente executada em salas de palácio ou, a partir de fins do século 18, em casas particulares, a música de câmara vem sendo apresentada em grandes auditórios desde o início do século 19, só conservando de "câmara" o nome.
O poeta Goethe ( 1749-1832) definia o quarteto de cordas como "uma conversa entre pessoas instruídas"; sua frase resume os altos ideais associados à música de câmara desde o romantismo, como expressão do pensamento mais íntimo e ao mesmo tempo mais sofisticado dos compositores. Sugere também o caráter de uma música destinada tanto ou mais à satisfação dos próprios músicos do que ao público de uma sala de concertos.
O século 20 é um século de música de câmara por excelência. Pequenos grupos, muitas vezes em combinações únicas, formam o padrão instrumental no repertório contemporâneo.
Tudo o que se conhece como música "antiga" (isto é, anterior ao classicismo do século 18) poderia também ser enquadrado como música de câmara; na linguagem cotidiana, porém, o nome fica mais restrito à música dos períodos clássico, romântico e moderno.
Arthur Nestrovski
(De: Notas Musicais - Do Barroco ao Jazz, Publifolha 2000.)
Orquestra de Câmara Paulista na Sala São Paulo,
J. S. Bach, Suite BWV 1068, Gavotte I e II,
Maestro Branco Bernardes.

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